O que eles querem nos dizer

Quando eu voltava para casa na manhã de domingo, passando na avenida Américo Figueiredo no bairro Júlio de Mesquita Filho, alguns metros antes do bairro Santa Bárbara, na zona oeste, em Sorocaba, vi no canteiro central centenas de copos plásticos jogados na ciclovia e canteiro central. Me ocorreu que alguém tenha perdido parte de sua carga. Pensei num entregador primeiramente e depois num catador de reciclado.

Chegando em casa, minha filha contava à mãe que quando ele estava indo para casa – ela havia se reunido na casa de uma amiga na noite de sábado – se deparou com um monte de jovens bebendo Copão (uma mistura de uísque barato com energético ou algum suco de fruta ou mesmo refrigerante), dançando no meio da rua e alguns deles com revólver em punho, outro com a arma na cintura e sem camisa para ostentar sua arma. Um clima de euforia, um movimento de corpo marcado pela batida da música. Ela passou no meio deles, pois nem havia outra possibilidade, sem que tivesse sido importunada.

Me senti um idiota. Fiquei pensando como pude achar que alguém tinha perdido parte de sua carga ao ver os milhares de copos plástico (Copão) jogados no chão. Hoje passei no mesmo local e minha intenção era fazer a foto que não fiz dos copos no chão, mas alguém já havia limpado o local.

Simultaneamente a esse fato, hoje pela manhã a assessoria de comunicação da Prefeitura de Sorocaba divulgou em seu site que a GCM (Guarda Civil Municipal) e a Polícia Militar realizaram mais uma operação integrada, que terminou na noite de domingo (19), em áreas públicas localizadas em dois bairros da cidade, como forma de inibir “pancadões” e outros tipos de aglomerações. Além disso, a GCM ainda atendeu a três ocorrências de perturbação de sossego, em outras três localidades da cidade, uma delas certamente essa no Júlio de Mesquita Filho.

Me lembrei que há alguns anos, por unanimidade, a Câmara Municipal de Sorocaba aprovou o projeto de lei do então vereador Hudson Pessini proibindo essas aglomerações (chamadas de pancadões) em vias públicas, praças, parques, pistas de caminhada, jardins e demais áreas públicas, além de área privada de livre acesso ao público, incluindo postos de combustíveis e estacionamentos.

Entre as penalidades previstas, está a apreensão de veículos e dos equipamentos de som, por exemplo, que, eventualmente, estejam sendo usados nos eventos. Outra penalidade é a possibilidade de multa de até R$ 2 mil.

Quando aprovado, o projeto teve mais de uma hora de discussão com os vereadores argumentando que “é preciso ter política pública para a juventude. Não é a repressão que vai resolver isso”, afirmou à época Renan Santos, tendo sua opinião acompanhada por Anselmo Neto e Fausto Peres.

De lá para cá, passados mais de dois anos, ninguém mais tocou neste aspecto do assunto e a repressão segue sendo a única forma do poder público enfrentar o problema.

Eu entendo que as pessoas que participam destes eventos querem dizer alguma coisa à sociedade. Mas nem eles encontram “palavras” para se expressar e nem a sociedade se esforça para entende-los. Vão ficar neste jogo de gato e rato até quando puderem, ou seja, quando o poder público (GCM e PM) estiver num lado, eles correm para o outro. E no meio deles estamos nós. Por enquanto apenas incomodados pelo barulho. Por enquanto…

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