O risco de reduzir o machismo a um embate ideológico

Emanuela Barros, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, chamou minha atenção hoje durante entrevista no programa O Deda Questão na rádio web 365 (https://www.youtube.com/watch?v=EM9chuFybWU) a respeito do perigo de reduzir a um embate ideológico a fala do vereador Vinícius Aith, bolsonarista, direcionada a vereadora Iara Bernardi, petista.

O vereador disse que a vereadora não tinha colhão. O contexto desta fala foi bastante debatido aqui neste espaço e também na rádio. Mas de forma a reduzir o debate, me disse Emanuela.

Em que pese o vereador ter dito que ele teve a intenção de usar o termo colhão como sinônimo de coragem, ele não entende o que está subentendido nesta afirmação, de que para se ter coragem é necessário ter colhões, ou seja, apenas homens teriam coragem.

Pode parecer um tema menor, mas não é enfatiza Emanuela, uma vez que o maior medo de uma mulher é o de ser estuprada. E a base do estupro está na noção dominada por parte do senso comum da sociedade, de que a mulher é um objeto, é um ser menor, é alguém a ser dominada, é alguém sempre na dependência do homem quando sabemos que independentemente do gênero, cada um é um e deve respeitar o outro em sua integralidade. O feminicídio (mulheres que são mortas simplesmente por serem mulheres) é fato e ele começa com a sociedade deixando de lado, ou tratando como tema menor, uma acusação machista como a do vereador Aith à vereadora Iara.

O Conselho Municipal dos Direitos da Mulher espera que os vereadores punam de modo exemplar a fala de Aith com o objetivo de tal ato vir a ser educativo. E que eles tenham discernimento em separar o que há de ideológico neste embate, ou seja, tanto o que há de diferença no que pensa Aith de Iara quanto no que pensa Iara de Aith que disse que daria uma bifa (tapa na cara) dele se necessário, ou na fala de uma manifestante feminista que chamou Aith de menininho. Emanuela Barros reconhece que há elementos reducionistas de ambos os lados no embate, mas é clara em separar, em isolar portanto, a fala machista de Aith e sobre ela exigir que a Câmara tenha papel educador. Se Aith não reconhecer a essência machista de sua fala, outras pessoas de nossa sociedade também não vão conseguir. E é preciso corrigir isso. Concordo totalmente. Se faz necessário uma correção. A Câmara como um todo, a Mesa em particular e o presidente do Legislativo, Cláudio do Sorocaba 1, têm a oportunidade de demonstrar o seu tamanho na história de nosso legislativo.

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