O silêncio de Sorocaba neste Carnaval revela a falta de visão para se investir na economia do entretenimento, uma indústria limpa para gerar emprego, renda e investimento em inovação

O que vejo acontecendo nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo neste Carnaval, onde dezenas de blocos ocupam as ruas dessas duas cidades e atraem 40 mil, 100 mil, 180 mil pessoas a cada desfile me faz crer que a organização de uma festa tão batida é capaz de fazer este evento evoluir e, ainda, trazer inovação a um setor tão tradicional quanto este, sempre centrado em desfiles no sambódromo.

O que vejo acontecendo na cidade de Sorocaba neste Carnaval, onde o silêncio reina e a cidade parece um grande retiro espiritual, me faz crer que o governo municipal joga fora uma grande chance de fomentar a economia da cidade. Isso mesmo, o que poderia ser uma grande festa, de atração de pessoas (da própria cidade e de outras) é desprezada. Que outro adjetivo, senão esse, para deixar essa oportunidade passar?

O Carnaval de Rua foi cancelado neste ano, depois de reativado em 2005, porque a Prefeitura ficou impedida de passar dinheiro, por lei, à Liga das Escolas de Samba de Sorocaba que não criou a figura jurídica necessária para receber este repasse. Mas porque não houve tempo? O Carnaval é sazonal assim como o campeonato paulista. A mesma falta de gestão para deixar pronto o gramado do CIC para a estréia do São Bento se vê na impossibilidade de Sorocaba fazer o seu Carnaval de Rua.

Há dez anos, quando eu estava para assumir a Secretaria da Cultura que estava sendo criada pelo então prefeito Vitor Lippi, o que eu falava ao prefeito era do potencial que a cidade tinha para fazer da Cultura uma das indústrias mais importantes do município, levando em conta o ponto de vista de criação de emprego. Havia naquele momento, como há hoje, a Linc (Lei de Incentivo à Cultura). Havia como há a Fundec (Fundação de Desenvolvimento Cultural). Faltava (hoje não falta mais porque Lippi a criou em 2005) a Secretaria da Cultura. Com esse tripé Sorocaba poderia fazer uma grande agenda de fomento à produção mensal ou até quinzenal de eventos: Carnaval e festivais de Teatro, Cinema, Tradição como o Desfile Tropeiro, e principalmente Música. Seriam sonoplatas, iluminadores, relações públicas, gestores de marketing, seguranças… Enfim, o potencial para a criação de milhares de empregos e em consequência geração de renda. Nada disso aconteceu. E ouvir esse silêncio deste Carnaval e ver ruas vazias me faz crer que Sorocaba deixa passar uma oportunidade que faz falta neste momento de crise na economia formal. Já pensaram em expandir este conceito para o esporte?

Vejam, o que digo é o de fomento e incentivo ao desenvolvimento a uma indústria limpa, a do entretenimento, turismo e seus similares. Não é a troca da indústria formal por esta. A base da nossa economia, a sustentação do Parque Tecnológico, tudo isso continua. Mas o gasto para se incentivar esta nova indústria não inviabilizaria o que temos ai.

Quando Pannunzio ganhou a eleição em 2012, considerei que isso poderia acontecer. Afinal foi em sua gestão anterior, na década de 90, que os festivais de Teatro Tropeiro e Ícaro tiveram o seu apogeu. Eram mais de vinte grupos de teatro e dois momentos do ano que eram aguardados por pessoas de Sorocaba e de outras cidades do país que tinham Sorocaba em seu calendário e se organizavam para vir para cá. Mas, a dez meses do fim do seu governo, isto está longe de se tornar realidade. Jaqueline Gomes, à frente da pasta da Cultura, tem seus méritos e faz um bom trabalho. O fato é que não lhe foi pedido para fazer o que é tema destas minhas argumentações.

É preciso que o futuro prefeito de Sorocaba seja inovador. E que crie condições da cidade seguir crescendo sem que seja, como é, absolutamente dependente da economia tradicional. A economia criativa e imaterial já é uma realidade. Há pesquisadores se dedicando há anos ao tema. Sorocaba já fez seminários (escondidinhos como ele só) no Parque Tecnológico sobre economia criativa, mas que se mostraram incapazes de picar nossos administradores para dedicarem tempo a este tema.

Repito, lamentável a falta de inovação e a oportunidade jogada fora ao não se investir na economia do entretenimento. Potencial existe. Não há motivo para se duvidar disso.

Em tempo, a foto desta postagem é do Carnaval de 2015…

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