Os 10 anos do Prêmio Esso do Pita

Há dez anos, no dia 16 de agosto de 2011, o repórter fotográfico Epitácio Pessoa, o Pita, que há mais de trinta anos mudou-se de Taquarituba para Sorocaba, era premiado com a maior láurea do jornalismo brasileiro na Categoria Fotografia pela série “Violência Abortada”, clicada na cidade Lorena, no Vale do Paraíba, para o jornal O Estado de S. Paulo.

A pauta, ou seja, o assunto para o qual Pita foi designado fazer a cobertura pelo jornal era sobre as condições do rio Paraíba do Sul, um dos principais daquela região paulista. Mas depois de algum tempo andando por uma estrada de terra no bairro Olaria, naquele município, Pita avistou o reciclador Adriano Carlos Gonçalves da Silva, então com 19 anos, que tinha as mãos amarradas e era arrastado por outros dois indivíduos. Assim que identificou o carro da equipe do jornal, o rapaz gritou, anunciando que a intenção dos homens era matá-lo. Então, de imediato, Epitácio Pessoa disparou a máquina e colheu as imagens. Assustados, os bandidos fugiram, enquanto a vítima conseguiu se desvencilhar e escapar da morte correndo com as mãos atadas em suas costas. No dia seguinte, a traumática experiência de Adriano foi retratada na primeira página do “Estadão”.

Adriano era acusado de um furto que não cometeu e seria morto sem motivo, apenas pela “justiça pelas próprias mãos” de quem tinha a certeza da sua culpa. Com ele vivo, foi possível ter a certeza de que ele não havia roubado nada.

Dias atrás eu entrevistei Pita no programa O Deda Questão que vai ao ar de segunda a sexta-feira na radioweb 365. Naquele dia, falando deste prêmio, ele me disse ter ficado mais satisfeito por, feito junto com o parceiro José Maria Tomazela), ter evitado uma tragédia. “Fotografei guiado pelo instinto. Felizmente, o pior não aconteceu e, graças a Deus, ele escapou com vida”.

O fotojornalista Epitácio Pessoa iniciou sua carreira no jornal Diário de Sorocaba, passou quase 30 anos no Estadão, veículo para o qual ele ainda faz serviços eventuais, e eu tive a honra de trabalhar com ele no extinto jornal Bom Dia Sorocaba. Pita une a sensibilidade necessária a qualquer jornalista à uma técnica rara mesmo em velhos profissionais e a um olhar que faz dele o raro repórter fotográfico que é. Atualmente além de trabalhos livres que faz para quem o contrata, Pita tem um estúdio de fotos em sua casa.

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