Sentindo o purso

Quando a escada rolante chegou ao final e eu estava no piso de compras do hipermercado Tauste no domingo, por volta das 11h, havia um grupo de crianças e alguns adultos cercando uma pessoa. Curioso, fui ver quem estava ali recebendo os apupos, carinhos e reconhecimentos. Tratava-se do prefeito Manga. Provavelmente ele vinha de algum evento, pois estava de blazer. Roupa incomum para um domingo. Sua esposa, Sirlange, via a cena de longe e acolhia quem queria chegar perto do marido.

Sirlange me cumprimentou com um aperto de mão. Fiquei olhando Manga na expectativa de que ele se virasse para mim, mas ele dava atenção a um senhor que lhe fazia questão de explicar alguma coisa. Manga chacoalhava a cabeça, concordando, sem dizer nada, atento ao homem. Manga, isso me chamou bastante a atenção, olhava para os olhos do homem o tempo todo. Quando eu estava saindo, Manga me reconheceu, mesmo com minha máscara, e me chamou pelo nome. Acenei de longe para ele e segui pegar minhas coisas.

Vi que quando alguém reconhecia Manga, cochichava para o acompanhante: olha o prefeito está ali. Manga desfilava pelos corredores do Tauste.

Me lembrei de uma cena similar, também presenciada por mim, em 2003, nos corredores do Esplanada Shopping. Eu estava na varanda do extinto Restaurante Alemão, bem de frente para então entrada dos cinemas do shopping quando passou por mim, sozinho, o então prefeito Renato Amary. Ele parou ao me ver e tas palavras que trocamos perguntei a ele o que estava fazendo. Ele foi sincero e me disse: sentindo o purso…. Ele brincava com a palavra, pois evidentemente ele sabia que se fala pulso.

Sentir o pulso é um ato que aprendemos desde criança, especialmente nas aulas de educação física. Sentimos, com a ponta dos dedos, o batimento cardíaco. O normal, sem esforço físico, é que os batimentos fiquem entre 60 e 80 por minuto.

Para um político, sentir o pulso, é estar à toa num local de grande circulação de pessoas e ver quantos lhe dirigem um olhar, aceno, lhe param, querem sua atenção. Já vi prefeito, em pleno mandato, entrar e sair da Padaria Real sem ser importunado porque muitas das pessoas não o reconheceram e porque as que a reconheceram não quiseram falar com ele. E na prática isso não significou nada, pois houveram novas eleições e ele foi eleito.

Sentir o pulso, entendo, está bastante relacionado com a necessidade de ser aplaudido. Não há nada de errado nisso, desde que seja feito com discernimento. Seja político, artista, qualquer pessoa que tenha projeção social, o que se deseja é que em nenhuma circunstância se perca a autenticidade e se mantenha a qualificação da convivência. O aplauso ou um elogio ou prêmio são bem-vindos, mas se não vier não há nada de errado. O importante é realizar o trabalho que precisa ser realizado.

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