Sigilo sobre quem são os ouvidos na CPI mira em secretário

A decisão da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que apura o trabalho de voluntários na Prefeitura de Sorocaba decidiu entrevistar seis servidores e ex-servidores da Secretaria Municipal de Comunicação e Eventos, concursados e comissionados, de portas fechadas (sem revelar o nome dos ouvidos e sem permitir a presença da imprensa) “para preservar a imagem de servidores públicos concursados que serão ouvidos, sobre os quais não pairam acusações. Ou seja, eles serão escutados na categoria de testemunhas”, explica a assessoria da vereadora Iara Bernardi, presidente da comissão.

Mas há, também, um outro objetivo por fazer as oitivas de hoje de portas fechadas: preparar o terreno para a volta de Eloy de Oliveira, o secretário de Comunicação, para ser ouvido novamente na CPI. Ele foi o primeiro a ser ouvido e surpreendeu aos vereadores protegendo Tatiane Polis – pivô da CPI que nasceu a partir de denúncias de assédios morais, intimidações, tráfico de influência e prejuízos ao erário público contra ela, assessora pessoal do prefeito, que trabalha sem vínculo, ou seja, de modo voluntário.

A intenção, num provável futuro depoimento de Eloy de Oliveira, é que ele entregue Tatiane Polis – e não a proteja como fez na primeira vez (foto) – pois do contrário a conclusão da CPI será no sentido de responsabilizá-lo em explicar o que os vereadores vêm como evidente: uma disputa de poder entre Tatiane e Eloy pela administração do contrato de R$ 20 milhões entre a prefeitura e a agência de publicidade que venceu a licitação.

A CPI caminha, enfim, para colocar Eloy de Oliveira contra a parede, ou seja, ou ele entrega Tatiane Polis e ajuda a CPI a provar as denúncias contra ela ou o relatório da CPI será no sentido de responsabilizá-lo. Pelo quê? Isso eles decidirão ao final. Ou seja, a CPI precisa de uma cabeça e se for a do Eloy, ele não vai titubear em entregar Tatiane Polis, ou seja, a do prefeito que é quem colocou ela onde está. Bom, é o que pensam alguns vereadores da CPI.

O único fato novo e que poderá vir a alterar esse desenho, traçado acima por mim, está no resultado das investigações que estão sendo feitas pela Polícia Civil a partir de uma solicitação de Salatiel Hergezel, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais, sobre a legalidade do papel desempenhado por Tatiane Polis nas funções a ela responsabilizadas pelo prefeito. Aliás, denúncias agora confirmadas à CPI.

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