Sindicato dos servidores pressiona vereadores e quer colocar prefeito contra a parede

A primeira batalha prática da guerra entre o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Sorocaba e a Prefeitura de Sorocaba (que até agora vinha se desenrolando apenas no âmbito da retórica e do discurso) acontece na manhã desta terça-feira (22/03) na Câmara de Vereadores. Em sessões extraordinárias, em regime de urgência, os vereadores vão votar o projeto do prefeito Pannunzio que concede reajuste de 3,5% aos servidores. O presidente do sindicato, Salatiel Hergezel, quer que os vereadores votem contra esse aumento. Inicialmente ele desejava que os salários fossem reajustados em 19%, mas agora sua estratégia é que o reajuste seja a reposição da inflação. Por que estratégia? Porque como é ano eleitoral, a lei proíbe que a prefeitura conceda aumento de salários aos servidores no período de 6 meses que antecede a eleição, mas não impede que sejam repostas as perdas. Ou seja, caso os vereadores aprovem 3,5% de reajuste o sindicato perde a batalha de obter da prefeitura a reposição da inflação que foi de 10,48%. Salatiel se mostra confiante em sua estratégia e o trunfo dele é justamente o ano eleitoral. Que vereador vai querer ser contra 11 mil funcionários públicos e seus familiares? Se o reajuste não for aprovado, Salatiel entende que “o sindicato vai conseguir colocar o prefeito contra a parede e conseguir um reajuste melhor para a categoria do que os 3,5% oferecidos até agora”. O prefeito tem parecer da Conam (empresa particular que dá consultoria sobre administração pública) indicando que o reajuste aos funcionários de Sorocaba deve ser zero em razão da proximidade da folha do teto de 54% que é o limite permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Com o aumento de 3,5% a folha de Sorocaba chegará perto dos 48% o que já é um sinal de alerta para o índice de 54% tendo em vista a queda repetida mês a mês na arrecadação municipal.

Há instantes, por volta das 18h30, nova reunião entre diretoria do sindicato e secretários da prefeitura terminou sem que houvesse um acordo capaz de evitar a greve. Por volta das 15h50 o presidente do sindicato postou em sua página do facebook que na reunião das 17h ele tinha a expectativa de que a prefeitura aumentasse de 3,5% para 7,5%a oferta de reajuste do funcionalismo. Mas isso não aconteceu. A prefeitura manteve a proposta de 3,5%. Daqui uma hora, por volta das 19h30, o sindicato conduz nova assembleia com os servidores, mas diante da falta de uma nova proposta não se imagina que desejem cancelar a greve anunciada para quarta-feira (23/03).

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