Vereadores agem como “super-heróis’ dos filmes “capa e espada” e acreditam que estão ajudando a resolver o problema da saúde ao invadir de madrugada central de atendimento de ambulância e denunciar a presença de apenas 1 médico

PeVitao

Os vereadores Fausto Peres (Podemos) e Vitão do Cachorrão (PMDB) participaram do Jornal da Ipanema, da Rádio Ipanema 91,1 FM, edição desta quinta-feira (9) para falar sobre a chegada de surpresa que os dois fizeram ao prédio do Samu (Serviço de Atendimento Médico de Urgência), localizado na rua Aparecida, no Jardim Santa Rosália, na madrugada de quarta-feira (8/3).

Eles foram entrevistados por mim. Puderam se explicar, dizer que não invadiram o local, que atenderam ao chamado de eleitores que esperam que eles ajam, que confiam no prefeito, que acreditam em melhora e etc e tal.

Mas também ouviram que entendo o comportamento deles como sendo benéfico apenas para eles. Somente eles “aparecem” para o eleitorado. Tal incerta não contribui para resolver o problema (que primeiramente precisa ser identificado, embora eles digam que apenas um médico estava no local, outro fora em jantar e outro fora porque foi buscar um remédio em casa). Eles agem como “super-heróis” dos filmes de “capa e espada” cujo o clímax é o momento em que o “bonzinho” vinga os fracos, oprimidos e indefesos ao “prender”, “matar”, “liquidar”, enfim pouco importa o adjetivo, os “maus”.

Infelizmente a problemática da saúde é de uma complexidade que vai além de “bons” e “maus”. Mais, os avanços que os dois vereadores desejam (e eu reconheço essa boa intenção deles) e toda a comunidade está numa gestão municipal, sem dúvida, mas na chegada de recursos da União e do Estado.

Vitão e Fausto bateram muito na tecla que eles fizeram o que fizeram porque estão fiscalizando. Não vereadores, o que se espera dos vereadores é uma fiscalização na inteligência da questão, ou seja: no número de ambulâncias que o Samu possui e o que funciona?; no tempo que uma ambulância fica parada num Pronto-Socorro e por quê?; nas condições de trabalho dos médicos. Vitão disse que uma das médicas que deveriam estar presente no plantão e estava ausente foi em casa buscar um remédio de venda controlada, tarja preta, receitada para algum distúrbio provocado pelo stress, imagino. Isso não é indicativo de que falta condição para que ela tenha um ambiente de trabalho melhor?

O fato é que não existe “santo” nesta história e o histórico do médico ausente (em tese para jantar) não é dos melhores. Há denúncias contra a prática e comportamento dele. Vitão e Fausto, saber o histórico desse médico e cobrar da prefeitura uma atitude ajuda a resolver o problema.

Histórico nacional

O fato é que o comportamento dos vereadores, que agem como se o problema na saúde tivesse começado agora que eles viraram vereadores, começou agora. Eles, nessa invasão ao Samu, tão somente reproduzem um sentimento nacional de combate à corrupção pelas próprias mãos. Uma visão distorcida de que todo e qualquer servidor público deseja apenas “roubar” o erário. Repito, o mundo real não é um roteiro de filme onde a lógica cartesiana de bons e maus é a que vem sendo imbutida nas mentes dos telespectadores há décadas.

FOTO: No detalhe da foto, dentro do círculo vermelho, o pé do vereador Vitão no momento em que pula a porta-balcão do Samu.

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