Vereadores se autoprotegem no “espírito de corpo”

O placar idêntico das votações dos dois pedidos aprovados pelos vereadores de Comissão Processante contra o prefeito Crespo e também contra a vice Jaqueline Coutinho – 18 votos a favor e 1 contra, do vereador Irineu Toledo, que é contrário aos argumentos apresentados nos dois pedidos de cassação e o 20º voto seria do presidente da Câmara que, em caso como este, não vota – não é um acaso.

A primeira impressão é de que houve o chamado “espírito de corpo” dos vereadores sorocabanos. Essa é uma das expressões que mais se ouve ao longo de todo o serviço militar – e é muito sedimentada e divulgada nos filmes norte-americanos quando o tema são as Forças Armadas daquele país – e tem uma mensagem poderosa: Trabalho e Proteção em Equipe. “A ideia base por detrás deste conceito assenta na premissa de que um determinado grupo de trabalho (ou organização), funciona tal como um corpo humano, e daqui surgem uma série de noções que ultrapassam em grande escala o ‘apenas’ trabalhar em equipe”, explica Elsa Soares, HR Business Partner, Generalista de Recursos Humanos de Porto em Portugal.

E conversando com pessoas ligadas aos vereadores e com alguns deles próprios, ouvi de um deles a explicação do motivo desse placar idêntico de 18 a 1. E atendem à resposta dele: “nenhum de nós vereadores aguenta mais a pressão popular, a cidade toda quer o prefeito fora e se abríssemos uma Comissão Processante somente contra o prefeito, e não contra a vice, poderia parecer algum tipo de manobra, então todos decidiram por abrir as duas, exceto o colega Irineu que, como sempre, é do contra”.

Fica, ou não, evidente o “espírito de corpo”? Para mim não resta dúvida: sim.

A pressão popular se dilui quando todos agem iguais “protegendo” as individualidades de cada vereador. O resultado deixa de ser responsabilidade de A ou B e passa a ser de “todo o corpo”. Ou seja, a responsabilidade do Legislativo.

Sinceramente, isso é ótimo para enfrentar pressão, mas sinceramente, duvido que funcione na eleição, quando o eleitor vota em individualidades.

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