Vi um homem com revólver

Estava num bar na Zona Oeste de Sorocaba no começo da noite de sexta-feira (8 de fevereiro), onde parei para comer, antes de chegar em casa, depois de um dia difícil em São Paulo.

Um bar conhecido pelo churrasco que serve e pelas famílias que frequentam o local.

Na mesa ao lado, estava um jovem casal, na faixa dos 27 anos, com uma filha de 3 anos, e a mãe e o pai dele que imagino na faixa dos 55 anos.

De repente, o jovem se levanta ao entender que alguém estava mexendo no seu carro, estacionado na rua e sai do bar correndo em direção ao fato. A sua esposa deixa a criança com a avó e segue atrás do marido. E o avô se levanta calmamente, pega no chão uma capanga (tipo de bolsa de homem), abre, tira de dentro um revólver e deixa o restaurante com a arma engatilhada e abaixada ao lado do seu corpo enquanto caminha em direção ao filho.

Fiquei estarrecido!

Outras pessoas, incluindo minha mulher, impulsionadas pela curiosidade, se dirigiram até a porta do bar, deixando seus pratos e bebidas abandonados sobre a mesa.

Era alarme falso, todos retornaram. O último a ocupar sua cadeira e voltar a comer como se nada tivesse acontecido foi o homem armado. Ele retornou com a capanga embaixo do braço, onde certamente havia guardado o seu revólver.

Os segundos entre o que aconteceu e o que poderia ter acontecido estão eternizados em minha mente. O homem tinha cabelo branco penteado com gel, barba branca e uma cicatriz na cara tapada com band-aid. Seu olhar cruzou com o meu e ele viu o meu susto em vê-lo com a arma. Quando ele me encarou com a arma na mão, desviei o meu olhar.

Fiquei pensando que ele seja um policial militar aposentado. Fiquei pensando no motivo dele andar armado. Fiquei pensando se a cara fechada dele e de bem poucos amigos tinha relação com o fato dele sentir-se mais seguro com um revólver.

É assustador estar frente-a-frente com um homem armado. Meu apetite, sempre voraz, e fonte de um prazer infantil se diluiu na fragilidade de estar naquele ambiente.

Fui embora com o sentimento de um vazio inexplicável. Fico pensando como serão os dias onde todos acharem por bem andar com o seu revólver.

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