Informantes

Compartilhar

“Juan Gabriel Vásquez é uma das mais originais novas vozes da literatura latino-americana”. Essa informação, atribuída ao premiado e laureado escritor peruano Mário Vargas Llosa, está na capa da edição brasileira do livro “Os Informantes” e serve, no meu caso ao menos, mais como alerta, tipo: Cuidado, se você não gostar desse livro o problema é seu e não do livro, afinal olha quem o está dando aval.

Na contracapa, novos alertas, pois frases elogiosas ao livro estão lá estampadas e de autoria de ninguém menos do que os escritores Colm Tobin (irlandês) e Carlos Fuentes (mexicano). Há ainda a informação de que “Os Informantes” é um dos mais importantes romances dos últimos 25 anos.

Haja pressão sobre o leitor.

Talvez essa pressão funcione, ou ao menos tenha funcionado em mim, pois quase parei a leitura por três vezes e, aos trancos, avancei.

Não estou dizendo que o livro é mal escrito, pois não é. Mas é um texto mais preocupado com as informações do que com a estética. O autor, claramente, tem uma tese e quer nos contar. Em resumo, o livro trata da chegada dos alemães à Colômbia e da forma como se organizaram com os simpáticos ao nazismo de um lado e os perseguidos pelos nazistas de outro e quando há o cruzamento desses dois tipos de alemães. O que o livro traz de novidade, ao menos para mim, é que o alemão judeu rico pagava uma pequena fortuna (não é informada quanto) para emigrar e sobrou para o judeu alemão pobre amargar nos campos de concentração. O livro, que se chamasse dedo-duro ou delator, estaria mais próximo da trama, é um jornalista/escritor reconstruindo a história do seu pai, um colombiano, que viveu muito próximo aos alemães nazistas e perseguidos pelos nazistas.

É uma história que nunca acaba. Quando o leitor está satisfeito, ainda falta uma centena de páginas. Quando a história dos alemães se esgota, há a história da personagem a ser acabada.

Enfim, venci e li até o final. E, embora não faça parte do livro, fico pensando o que que Llosa chama de voz da literatura latino-americana. É o que é escrito em língua espanhola? É o cruzamento de tramas? É a temática? É tudo isso misturado? A literatura brasileira é enquadrada nesta chamada literatura latino-americana? 

Essas gavetinhas pouco importam ao leitor, acho eu, e apenas criam um ranço de preconceito. Acho que haveria chance de eu gostar mais de “Os Informantes” caso não houvesse tanta pressão para eu gostar dele. Espero que você não se sinta, como eu, pressionado a gostar de “Os Informantes”.