O que estará em jogo no encontro a sós entre o prefeito eleito e o prefeito de Sorocaba, agendado para o próximo dia 10, será o nível de respeito que o governo que entra vai ter com o governo que sai

crespotransicaoEstá acertado que o prefeito Pannunzio vai receber o prefeito eleito, José Crespo, em seu gabinete na próxima quinta-feira, às 15h, a sós. Este detalhe (a sós) é importante. Vai permitir que ambos abram o coração e falem verdades de um lado para o outro. Velhos amigos pessoais, Pannunzio e Crespo herdaram dos seus pais (que foram prefeitos na década de 70) não apenas o gosto pela política, mas um relacionamento pessoal que começou a se distanciar quando nasceu o PSDB e Pannunzio foi para lá e Crespo, sem espaço no então novo partido, ficou no partido que deu origem ao DEM onde ele está até hoje. Mas foi em 2008, quando convencido por Pannunzio Crespo apoiou a reeleição do tucano Vitor Lippi (que não cumpriu nenhum compromisso assumido por Crespo e se criou uma adversidade sem fim entre eles), que azedou de vez a relação política entre ambos. Tanto que Crespo não permitiu que a amizade pessoal interferisse em sua oposição política tornando-se um ferrenho opositor do prefeito a quem chamou de “rainha da Inglaterra”, por ter papel decorativo no governo e não saber o que acontece de verdade em sua administração, e entrou com 5 Ações Civis Públicas contra o prefeito Pannunzio.

Portanto, a sós, ambos terão a chance de abrir o coração num evento oficial e que interessa diretamente a cada sorocabano. Desse encontro será possível entender o ritmo com que o prefeito eleito vai assumir em 1º de janeiro. Se será pisando no acelerador ou vai devagar para conhecer a máquina que assume e tomar as decisões que os eleitores que o escolheram prefeito esperam que ele tome. Minha aposta é que Pannunzio e Crespo têm muitos mais pontos em comum do que desacordos. Minha percepção é de que Crespo vai respeitar o prefeito Pannunzio como o grande líder tucano de Sorocaba e região, mas vai deixar claro que não terá o mesmo comportamento em relação às outras duas lideranças tucanas, o deputado federal Vitor Lippi e a deputada estadual Maria Lúcia Amary. O que está em jogo, e esse encontro a sós vai ajudar a definir, é o nível de respeito que o governo que entra vai ter com o governo que sai. É o que o governo que sai, particularmente o prefeito Pannunzio e seu fiel escudeiro de 20 anos, João Leandro, derrotado na eleição para prefeito, pretende daqui a dois anos.

Não se pode perder de vista que é uma nova era de poder que se inicia na cidade. Renato Amary foi eleito no PSDB e ficou lá por 12 anos. Renato Amary foi o fiel da balança nesta eleição em que o reino do tucanato chega ao final. Crespo sinalizou que vai honrar esse apadrinhamento ao dar a Renato o crédito que ele teve na sua eleição e novamente sinaliza ao chamar para a equipe de transição o seu homem de confiança (Hudson Zuliani) e o homem de confiança de Renato Amary (Alexandre Robin). Leio e vejo apostas da data em que Crespo e Renato vão brigar e minha sensação é que todos vão errar e não haverá briga ao menos até 2018 quando serão escolhidos deputados (federal e estadual). Derrotar os deputados Lippi e Maria Lúcia será apenas terminar o trabalho iniciado no dia 2 de outubro. E a conversa, repito, a sós, de Crespo e Pannunzio passa sim por este tema também. Uma dobradinha tucana de Pannunzio e João Leandro será bem-vinda para dividir os votos de Lippi/Maria Lúcia. Renato nunca foi cruel com Pannunzio, e embora seja um crítico ferrenho da sua gestão e administração, por outro lado sempre elogiou o seu caráter e retidão. Pannunzio é um adversário. O que é saudável em política. Não um inimigo, o que é abominável.

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