Quem está na frente tem o interesse de divulgar pesquisas. Na mesma proporção quem está atrás deseja que nenhuma delas seja divulgada. Sorocaba vive momento de “pesquisite”

VictorTrujillo

Usei de um neologismo (criação de uma palavra) na coluna O Deda Questão na coluna de hoje do Jornal da Ipanema (FM 91,1Mhz) para expressar o momento de tensão vivido pelos candidatos a prefeito de Sorocaba: pesquisite. Essa é a junção da palavra pesquisa + o sufixo Ite (usado na formação de substantivos com o significado de inflamação de algum órgão). Diferentes assessores dos candidatos me perguntam o que acho ou se sei alguma coisa sobre o resultado da pesquisa Ipeso, encomendada pelo diretório municipal do PSOL, com previsão de ser divulgada na próxima sexta-feira, dia 9. Mais do que saber o resultado, sinto que o clima dentro das campanhas de todos os candidatos (afinal converso ao menos uma vez por semana com alguém de confiança ligado diretamente aos candidatos) é de dúvida. O resultado é confiável sendo a pesquisa encomendada por um partido político? Esta é a dúvida que ronda todos que estão envolvidos na campanha dos cinco candidatos a prefeito de Sorocaba.

Todos os candidatos, se não fazem ao menos deveriam fazer, sondagens e pesquisa para o uso interno da campanha. Pesquisa profissional (com todas as divisões de renda, escolaridade, crença, região onde mora, sexo, idade….) custa muito caro. Para se ter uma ideia o Ibope cobrou R$ 45 mil, declarados, da TV TEM na única pesquisa de intenção de voto que fizeram para Sorocaba até o momento.

Mas a Legislação Eleitoral, para garantir que a pesquisa seja o retrato do momento em que ela foi feita, exige que para ser divulgada ela precisa ser registrada com 5 dias de antecedência da data de publicação. Para dar autenticidade, uma pesquisa deve ser publicada imediatamente após a sua conclusão. A pesquisa Ibope/TV TEM foi publicada na noite do dia em que dados ainda foram colhidos, ou seja, absolutamente em cima do momento.

Faltando 26 dias para o dia da eleição municipal, quem encomendou pesquisa até agora foi a TV TEM que historicamente contrata o Ibope nas eleições. E quem também encomendou foi o diretório municipal do PSOL, partido do candidato a prefeito Raul Marcelo. O fato da TV TEM encomendar uma pesquisa é visto com naturalidade, afinal o papel de um veículo de comunicação é informar o seu público sobre aquilo que é do seu interesse. Faz parte da natureza de um veículo de comunicação investir naquilo que atende ao interesse do seu público e da história do próprio veículo.

Mas e um partido político? Qual o interesse em fazer a pesquisa? A resposta é simples: numa corrida eleitoral o candidato que está na frente tem o interesse de divulgar pesquisas e, na mesma proporção, quem está atrás deseja que nenhuma delas seja divulgada. Dai a lógica do PSOL sorocabano estar gastando em sua segunda pesquisa, a primeira depois do início do horário eleitoral gratuito de Rádio e TV.

Credibilidade e história do Ipeso

Conversei sobre este tema com Victor Trujillo, sorocabano, professor de pesquisa e fundador do Ipeso. Fiz uma pergunta para ele: “Muita gente desconfia que o fato do PSOL pagar ao Instituto Ipeso por uma pesquisa eleitoral isso significa que o resultado é manipulado a favor do candidato. Isso é verdade? O que você responde a quem expressa desconfiança?”

A resposta de Victor Trujillo: “Muito oportuno o questionamento e o esclarecimento é de interesse geral. O Ipeso é uma empresa de pesquisa que atende a todos os partidos, candidatos e agências. Não têm preferência partidária e não trabalha apenas com pesquisas eleitorais. Todos os partidos fazem suas pesquisas internas, sondagens feitas por correligionários: algumas mais estruturadas outras menos, mas todos os partidos têm a temperatura da opinião pública e sentem o apoio do eleitorado nas ruas. Quando sentem que estão com força, tratam de contratar uma empresa idônea para medir a opinião dos eleitores (justamente porque acreditam que estão bem) e querem registrar e divulgar os resultados. O Ipeso sempre esteve (e está) à disposição de todos os partidos e coligações. Certamente se fosse outro partido ou coligação que estivesse vendo sua candidatura forte nas ruas, o outro partido iria tratar de contratar a pesquisa para medir e também iria registrar a pesquisa para divulgação. É óbvio e todo mundo sabe – mas nunca é demais repetir – que o Ipeso (e toda e qualquer empresa de pesquisa idônea) pauta seus trabalhos na ética e jamais abrirá mão da completa imparcialidade. Seja quem for o contratante, os resultados serão sempre fidedignos à realidade. A eleição passa rápido, a credibilidade da empresa de pesquisa permanece”.

Na foto, Victor Trujillo em 2014 quando concedeu entrevista ao programa Vida Pública da TV Cruzeiro do Sul.

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