Secretário de Esportes culpa crise econômica do país pelo problema do gramado do CIC. Não, foi falha sua mesmo. Usando o seu jargão: uma coisa é uma coisa, outra coisa, outra coisa

Francisco Moko Yabiku, vereador licenciado e que fica no cargo de secretário de Esportes até o final de março, quando volta ao Legislativo para novamente concorrer a uma vaga no Legislativo, usou sua página no Facebook para justificar o fato do gramado do Estádio Municipal (de responsabilidade da Secretaria de Esportes) não ter ficado pronto para a estréia do São Bento no campeonato paulista. Não sei se a idéia de fazer este texto (que poderá ser lido na íntegra abaixo) foi do secretário, mas é dele a responsabilidade da autoria. Uma tentativa esfarrapada de culpar a crise e a necessidade de trocar todo o gramado para falha única e exclusiva dele de gestão. Tudo o que aconteceu agora (interdição do campo) poderia ter ocorrido em outubro se houvesse capacidade de administrar o que é de responsabilidade do secretário da pasta. Não é falta de dinheiro. Não é a crise que impediu o jogo. É um erro do secretário. Que, como já escrevi, está custando muito caro à imagem do prefeito Pannunzio. Como usado na campanha eleitoral de 2012, na propaganda de TV e rádio, Yabiku tem um jardão que se aplica aos outros, mas claramente não a ele: uma coisa é uma coisa. Outra coisa, outra coisa.

Entendeu secretário?

A seguir leia na íntegra a postagem das 23h de Yabiku:

Pessoal, muito foi dito a respeito do gramado do CIC esses dias.

Nós tínhamos, em outubro de 2015, uma recomendação da Federação Paulista de Futebol para troca de todo o gramado. Seria algo em torno dos 600 mil reais. O atual gramado tem 11 anos.

Infelizmente, em momentos de crise, é algo que passa a não ser prioridade e impossível de se fazer. Os desmandos com o dinheiro público pelo governo federal nos trouxeram a essa crise e Sorocaba vem passando bem por ela, mas obviamente é preciso apertar o cinto e estabelecer prioridades.

Na época em questão, foi solicitado apoio da Secretaria do Meio Ambiente, junto de empresas especializadas, para um levantamento do que poderia ser feito no gramado do CIC, sem realizar sua troca total. O serviço necessário ficaria em cerca de 250 mil reais, entre troca de grama em setores mais críticos, aplicação de defensivos agrícolas, descompactação do solo, etc.

Com o atual cenário, só foi possível a liberação de 140 mil reais para o serviço, num esforço da administração.

Aberta a licitação, em novembro, a empresa vencedora solicitou 240 mil reais para executar as necessidades do local. Sem acordo, a licitação fracassou. Fizemos então novos ajustes no edital, retirando ainda mais alguns serviços, adequando ao valor dos 140 mil reais, e nova licitação foi feita no início de dezembro. A primeira colocada foi desclassificada por falta de documentos. A segunda também foi, mas por ter vinculada a ela documento de abertura de falência. A terceira não tinha nem capacidade técnica. Dessa forma, falhou novamente.

Vendo todo esse entrave, poderíamos não ter feito absolutamente nada. O gramado apresentava condições de jogo, apesar de todos os problemas. Porém, se não houvesse essa intervenção, ele não aguentaria até o final do campeonato, prejudicando muito mais os clubes São Bento e Atlético de Sorocaba, que mandam seus jogos no estádio e também realizam treinos frequentes.

Assim, foi feita uma compra direta do serviço no valor de quase 8 mil reais. A empresa contratada foi liberada resolveu fazer o trabalho a partir do dia 25 de janeiro, alegando que o serviço seria feito no prazo. E de fato foi. Porém, o campo não ficou visualmente bonito para transmissão de TV. A empresa que executou o trabalho tem um laudo atestando que seria possível ser realizado o jogo no CIC.

A ação no CIC foi uma forma de preservar o gramado, com os recursos escassos, para que as nossas equipes pudessem disputar o campeonato inteiro sem problemas.

Muito foi dito sem base ou com desmandos. Faz parte, fala quem tem boca. As críticas são construtivas e temos que saber quais têm nexo para absorvê-las. Na última sexta-feira estive em uma série de reuniões e por isso não consegui falar com a imprensa. Porém, o administrador do estádio, Edmilson Chelles, ex-secretário da Cultura e meu braço direito no assunto, era perfeitamente capaz de atender a todos. Fez isso com destreza a meu pedido e não deixou nenhuma mídia descoberta.

Estive na Radio Cacique hoje cedo para tratar do assunto e ainda assim, esta semana estarei à disposição para atender a quem mais necessitar de esclarecimentos.

Às vezes uma ação pode ser má vista pelo fato de muitos não saberem como as coisas funcionam, mas em tempos de crise é preciso apertar o cinto e tirar leite de pedra para as coisas andarem próximo da normalidade. Há de se ter tolerância para que possamos acertar os ponteiros. E aí, logo à frente, será vantajoso para a cidade e para os clubes de Sorocaba.

Nova vistoria será feita esta semana e esperamos que tudo volte ao normal, para que possamos torcer por nossos representantes! Sou torcedor do São Bento, também sou do Atlético Sorocaba, mas além da paixão pelas nossas equipes, não faremos nunca nada contra as leis ou além das leis. Todo o processo tem sua parte burocrática, leva tempo, e não podemos nunca ir além dele. O que foi possível ser feito, dentro da legalidade, foi feito, como sempre. E vamos em frente!

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